Sobre mim
Quem sou eu
Psicóloga formada pela Universidade Federal do Paraná (1994), com Mestrado em Psicologia Clínica pela mesma instituição (2023). Desde o início da minha trajetória, venho construindo uma prática clínica fundamentada na escuta psicanalítica, com atenção à singularidade do sofrimento de cada sujeito. Atuo em consultório particular com adolescentes e adultos e, desde 2014, dedico-me exclusivamente a essa escuta, sustentando um trabalho que integra escuta clínica, pesquisa, participação institucional e produção intelectual.
Minha clínica não se separa de meu percurso pessoal e de minha implicação com o mundo. Entendo a clínica como um espaço de escuta ética e responsável, atento à complexidade da vida psíquica e às experiências que atravessam cada um. O que me orienta é uma ética da palavra — e um lugar de escuta que não julga, não corrige, mas sustenta a possibilidade de elaboração, transformação e invenção.
Minha formação e percurso na Psicanálise
Minha formação em psicanálise atravessa mais de três décadas de estudo, prática e supervisão. Iniciei minha formação ainda durante a graduação, em grupos de estudo em Curitiba. Desde então, participei de diversas instituições e espaços de transmissão, como a Associação Psicanalítica de Curitiba, a École Expérimentale de Bonneuil (França), o Espace Analytique de Paris, e mais recentemente a Biblioteca Freudiana de Curitiba e a Association Lacanienne Internationale, com as quais sigo em diálogo.
Em 1996, atuei na École Expérimentale de Bonneuil sob a supervisão de Maud Mannoni, em um trabalho institucional e clínico com crianças e adolescentes psicóticos e autistas. Essa experiência marcou profundamente minha concepção de clínica: uma prática atenta aos impasses da linguagem e aos efeitos do laço social sobre a constituição subjetiva.
Acredito em uma formação contínua e rigorosa, que não se dá apenas por títulos, mas por uma implicação ética — o que me leva a manter uma escuta sensível ao tempo presente, às transformações da cultura e às formas de sofrimento que se produzem nesse entrelaçamento.
Experiências que marcaram minha escuta
Minha prática clínica nunca esteve limitada ao consultório. Trabalhei em contextos diversos: com bebês em risco, adolescentes em conflito com a lei, pacientes em sofrimento psíquico grave, migrantes e refugiados, além de longos períodos de escuta com mães, cuidadoras e famílias. Tais experiências me permitiram afinar a escuta a partir da singularidade de cada situação, aprendendo com os impasses e atravessamentos do campo social.
Entre 2006 e 2013, idealizei e coordenei a Bisbilhoteca, uma livraria e espaço cultural voltado à infância que se tornou referência em Curitiba. A literatura, o teatro, as artes visuais e a palavra viva foram ali cultivadas como formas de construção de subjetividade. Essa experiência me ensinou sobre o valor dos encontros coletivos e da invenção — especialmente no trabalho com crianças e famílias — e me acompanha até hoje em minha escuta clínica.
Entre 2018 e 2022, atuei como colaboradora do projeto de extensão Migração e Processos de Subjetivação (MOVE) da Universidade Federal do Paraná, participando de atendimentos, grupos de estudo e ações de formação voltadas à rede de apoio a migrantes e refugiados. Essa experiência ampliou meu olhar sobre os deslocamentos — geográficos, subjetivos, sociais — e fortaleceu minha escuta para os efeitos psíquicos da migração em diferentes camadas da população, independentemente do nível socioeconômico ou da condição jurídica da migração. Aprendi, nesse contexto, a reconhecer as perdas invisíveis, os atravessamentos culturais e os rearranjos simbólicos que acompanham quem muda de país, de cidade ou de mundo.
Desde 2022, sou psicóloga voluntária na ONG Humanitas Brasil–Ucrânia, onde ofereço escuta clínica a refugiados ucranianos e a combatentes brasileiros na guerra. Essa vivência tem aprofundado minha pesquisa sobre o trauma e desafiado as fronteiras entre o individual e o coletivo, o político e o psíquico, o presente e a memória.
Pesquisa, escrita e participação pública
A escrita, a pesquisa e a transmissão sempre caminharam junto à minha prática clínica. Minha dissertação de mestrado se debruçou sobre o trauma psíquico, articulando teoria psicanalítica, testemunho e produção de subjetividade. Tenho publicações em revistas e livros, e participei de eventos e mesas em que busco contribuir com a discussão sobre a clínica em situações de vulnerabilidade, migração forçada, violência simbólica e subjetividade contemporânea.
Atualmente, integro dois grupos de pesquisa: o Núcleo de Estudos da Ucrânia , vinculado à USP e o Leste Europeu em Movimento, de pesquisadores independentes, nos quais dialogo com filósofos, linguistas, cientistas sociais, historiadores e cientistas políticos, refletindo sobre os efeitos psíquicos da migração, da guerra e da cultura contemporânea. Participei de podcasts, entrevistas e projetos coletivos que buscam tornar a escuta psicanalítica acessível fora dos muros institucionais. Integro também o Conselho Editorial da Revista Esquema, uma publicação dedicada à intersecção entre psicanálise, filosofia e à crítica social e cultural, propondo novos modos de pensamento e de escuta no espaço público.
Entendo a participação pública como extensão da clínica. Não como ativismo nem como adaptação ao discurso dominante, mas como posicionamento ético diante daquilo que se cala, se repete ou se apaga.
O que sustenta meu trabalho
Sigo acreditando na potência da palavra — não só como ferramenta, mas como entrelaçamento social. A escuta que proponho não oferece respostas prontas, nem caminhos a seguir, mas sustenta perguntas, silêncios, impasses e, por vezes, invenções singulares. Trabalho com o tempo do sujeito, com o que escapa às generalizações diagnósticas e aos imperativos de performance e adaptação.
A clínica é, para mim, um espaço de responsabilidade: com o desejo, com a história e com aquilo que é possível transformar. É também um lugar de resistência à normatização do sofrimento e à patologização da diferença. Por isso, mantenho uma prática comprometida, acolhedora e sensível ao percurso singular de cada sujeito — e também aos modos como sua história se entrelaça aos contextos em que vive.